Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009



Faltam poucos meses para o Festival de Teatro de Curitiba, que neste ano será entre os dias 17 e 29 de março. Confesso que mesmo estando relativamente "longe", já ansio para estar lá de novo, pelo terceiro ano seguido. Com as melhores companhias, é claro. Mas isto serve de recomendação, só quem já provou da magia do teatro tem noção do que estou dizendo [por mais piegas que essa frase soe].







Perspectivas de Mileto:
ou ânsia por pensamentos novos, criações novas, a Idade das Trevas voltou.

Tudo morria a sua volta.
Ouvia gritos, mas só enxergava a escuridão. Ficava mais difícil respirar, e só enxergava a escuridão. Sentia seus pés molhados de sangue, e só enxergava a escuridão.
Foi quando o sol bateu em seus olhos e acordou. Levantou-se da cama e descobriu que estivera acordado.




que minhas mentiras não se tornem verdade.
Haikai dos Tempos Modernos:
a divisão poética que precisávamos, a construção estética que buscávamos, verbos desnecessários.

O vento que entra
certeiro, leva rasteiro
o que já se foi.


Você tem esperança de quê?

O dia em que a Terra parou - 1951 - Direção: Robert Wise


Não consigo fugir dessa maré, então a única coisa que me resta é mergulhar fundo.
Tal qual o filme, estamos em uma semana em que a Terra parece ter parado. Mas diferente das expectativas dos humanos em relação a Klaatu, o clima em Washington é de esperança. Todos pararam para assistir ao mais novo acontecimento do século, a eleição de um presidente negro nos EUA. Talvez seja um símbolo da nova geração ou apenas alguns minutos de demagogia [muito bem estruturados pelo redator Jon Favreau - muitos esquecem de lembrar que existem grandes pessoas atrás dessas figuras].
Mas o que realmente me espanta: as filiais pararam para assistir à mais um espetáculo do showbizz norteamericano. Devemos tanto respeito à matriz?

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009






Apenas para não terminar o dia sem citar, o que deveria ter feito antes, mas por falta de tempo não foi possível:

Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.

Quem sabe depois de mudar o visual, o PT não entra nessa onda e decide mudar também? Tarefa árdua. Previsões para amanhã: sem mais politicagens mesquinhas.


"Tirando uma onda com a galera", Obama se tornou o mais rentável souvenir da história. Depois de algumas infelizes tentativas de se lançar na mídia, a máscara de carnaval versão Dilma Roussef será deixada de lado: a promessa para o carnaval é com o nosso Barack.
Mas a Dilma pode se defender, em 2010 o país vai dançar na onda dela.
Largando todo o veneno de lado, eu vou deixando uma dica de leitura: não leiam Augusto Cury. Fato. E para quem tem um pé na high e quer aprender novas formas de criticar o socialismo, leiam: A Revolução dos Bichos. Para aqueles que não entederem, tem uns porquinhos legais que já valem a pena...
Talvez mais tarde eu volte com algumas perdas de tempo, desperdícios literários.
Um abraço, e não esqueça: "Yes, we can!".

Domingo, 18 de Janeiro de 2009

CRISES EXISTENCIAIS: AURELIANA


O primeiro dia do ano começara da pior forma possível. Do alto da montanha os imortais pregavam novos mandamentos para os escritos dos que sobreviviam das letras.

Era o quinto dia da semana; entre o quarto dia e o sexto; dois dias antes de sábado.

A agitação era inevitável, todos andavam pelas ruas confusos. Nas cidades com maior número de habitantes, o reforço policial foi evocado para conter a barbárie. Muitos acidentes por todas as ruas, não era possível o uso de nenhuma sinalização, as pessoas não compreendiam mais os significados.

Neste mesmo tempo o caos se instalou sobre o restante do reino animal. Pingüins migravam para as regiões equatoriais, eram recepcionados por outros animais aturdidos. Várias espécies de sagüis cometeram suicídio. Jibóias mergulhavam em baldes de tinta, algumas exageravam, vestiam lenços e intitulavam-se najas. Pássaros caíram de seus vôos.

Vários lugares do mapa sumiram. Niterói foi rapidamente evacuada, os que saíram não a encontraram mais, dos que ficaram não se teve mais notícia. As assembléias foram todas extintas. Fecharam-se as clarabóias. Milhares de baiúcas desmoronaram.

Diversos nichos ecológicos da sociedade moderna entraram em colapso. Cientistas, poetas, desbravadores, vereadores, hippies artesãos: todos ficaram inertes, não conseguiram mais criar, estavam sem idéias. As madames jogaram suas jóias fora, passaram a usar bijuterias. Os caminhoneiros desceram das boléias. Os que não sabiam nadar? Afogaram-se! Não existiam mais bóias. Grupos anti-semitas e anti-religiosos deixaram também de existir;

Todas as terceiras pessoas do plural pararam de crer, ler, ver; em alguns tempos, alguns conseguiam dar algo, mas quando adquiria um tom mais subjuntivo, o caos tornava-se certo de novo.

Vários aparelhos de microondas foram quebrados.

Os tempos estão difíceis. Mas está previsto para o final de semana a aprovação de uma emenda constitucional que irá extinguir os dias úteis da semana, sobrando-nos apenas dois: sábados e domingos.

Deforma ortográfica.

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Voltando com o intuito de mudar o mundo, ao lado de quem o fará comigo. Ou não.