Free Run+
a liberdade que os pés devem ter
Caminha por uma rua tantas vezes que seu olhar se perde num ponto único e preciso de abstração completa. Dá a volta no buraco da calçada perto das latas de lixo cinzas e passa pela vitrine da 755 sem mais olhar as promoções de três meses atrás. Não se incomoda mais com as pixações no muro que protege os materiais de uma construção abandonada há mais ou menos cinco semanas. Antes julgava o desleixo da moradora do 830 com o jardim mal cuidado e as plantas mortas na varanda da casa de cor desbotada pelo tempo. Agora sequer se dá conta de que há muito as flores mortas foram substituidas por novas. O barulho o incomodava, os carros, as pessoas, mas agora tudo que ouve é Such Great Heights no seu fone. Até que antes de chegar na esquina com a Presidente Costa e Silva alguém esbarra nele. Perde o ponto e não sabe mais onde estava. Se dá conta do clichê e foge.





